
O futebol brasileiro hoje levou uma sova no Japão, eu sempre acreditei na superioridade do Barça, e sabia que se o time de Messi e Cia. quisessem jogar bola, o time do Santos não seriam pários, mas não imaginaria que eles não sairiam nem na “foto”. E o único que percebeu isso, pelo que pude ler e ouvir por aí, foi o Neymar. “Tomamos uma aula de futebol do melhor time do mundo”, ele disse.
Foi precisamente isso, uma aula, uma lição. Mas não apenas porque o Barça enfiou quatro e poderia ter feito mais.
O que se viu hoje foi um choque de realidade. Não que todos os times europeus sejam melhores que os brasileiros. Mas é que vimos hoje uma demonstração de como é, de verdade, ter filosofia, princípios, linha de pensamento, conduta, projeto. Jogar o jogo, jogar bonito, e não estou falando daquela campanha publicitária da Nike.
Espero que os torcedores dos santos e os admiradores do bom futebol do Neymar (e eu me encaixo nesse time) me interprete mal, mas o que quero dizer que vivemos um futebol no Brasil hiper-super-mega valorizado e principalmente hiper-super-mega faturado. Esse ano foi sim talvez o campeonato brasileiro mais disputado da história dos pontos corridos, mas não foi pela alto nível e paridade entre os clubes brasileiros, não, não foi, pelo contrário, foi pelo baixo nível apresentado de um futebol que está cada dia que passa se transformando num reality show de jogadores de futebol medianos, estrelas, despreparados e vislumbrados. Tudo está “Puro marketing”.
O jogo de hoje foi muito mais que uma goleada, foi a “vitória”.
Foi a vitória sobre a soberba brasileira. A vitória sobre a soberba dessa gente que ganha muito mais do que merece, que vende um peixe que não tem, que se autopromove o tempo todo e que conta com a colaboração dos veículos de comunicação de massa para iludir o público e torcedores.
O presidente do Santos faz aquela pirotecnia toda para não vender o Neymar e o resto do time é “fraco”. Puro Marketing. O tal de Ganso, também supervalorizado, que é tratado como uma espécie de Novo Zico dos novos tempos, mas que mais parece um pobre ator coadjuvante que não aceita o papel, assim atua de forma morna e sonolenta. Também PURO MARKETING. O Corinthians contrata um gordo descompromissado como Adriano, o cara nem joga, mas vende camisa. Puro Marketing (pra mim o Um tiro no pé). O São Paulo traz de volta o centroavante bichado, coloca 40 mil pessoas no Morumbi, mas não consegue enxergar que se não tiver alguém que coloque a bola em seu pé, ele será mais um medalhão encalhado. PURO MARKETING. O Flamengo paga (ou não paga, sei lá, Flamengo é um time MUITOOO estranho) os tubos para ter o dentuço, o dentuço não joga nada, mas se comporta como se fosse algum tipo de deus sobrenatural, que simplesmente por puro desvio de caráter e falta de profissionalismo decidiu não se importar mais. PURO MARKETING.
Neymar, coitado, ótimo jogador, o melhor da sua geração, talvez o único que me faz acreditar que poderá chegar perto do que o Ronaldo, O Fenômeno, já chegou. Também virou marketing puro. Tem fila de empresas querendo patrociná-lo, para alegria das agências de publicidade. Virou, em definitivo, uma celebridade nacional, um sex-symbol, aparece em “Caras”, no “Fantástico”, nas “Altas Horas”, nos programas da Angélica e da Ana Maria Braga, no CQC, na Gabi, sei lá onde mais. Por isso não me impressiona o fato de ele não ter mais tempo pra nada, nem pra se concentrar e muito menos jogar bola.
Barcelona joga bola, e que joga para fazer gols, e que seus jogadores se divertem. E não fazem faltas, não desprezam ninguém, fazem aquilo que aprenderam a fazer desde moleques, lá no terrão deles que deve ter uma grama legal e, especialmente, professores decentes. Professor, ao contrário do que acham os brasileiros, não é o picareta que sai cagando regra para seus jogadores e para a imprensa, que improvisa posições, brinca de trocar de peças, que finge que ensina o que não sabe, e finge saber o que gostaria de ensinar. Professor é quem pega um menino de 8, 9, 10 anos, e ensina. Ensina a brincar com a bola, a respeitar o adversário, a dar um passe, a buscar o gol, a se divertir. Ensina fundamentos, ensina a ser gente, ensina em ter ética, ensina a importância que é fazer parte de uma “equipe”, enfim.
O futebol brasileiro é dirigido e frequentado por pessoas da pior espécie, a começar do topo da pirâmide, o presidente da CBF. Hoje vimos como nos satisfazemos e vislumbramos com pouco, e que destacamos como qualidade num jogador quando ele é profissional, comprometido e disciplinado, enquanto isso deveria ser o mínimo que se espera de um profissional da bola.
O santista pode sim se orgulhar por ter visto seu time na final no Japão, protagonista da bela cerimônia que antecedeu a decisão com o Barcelona, mostrada para o mundo inteiro.
No jogo, é verdade, foi coadjuvante, como se temia, e apenas viu o rival jogar.
Porque o Santos é deste planeta mas o Barcelona é de outro planeta.
Espero que o futebol brasileiro tenha aprendido, e todos que se envolvam nisso, que administra, que financia e mais um monte de coisa, durmam envergonhados, mas não pela derrota do Santos que já era de esperar, pelo contrário, parabenizo e repito que os jogadores dos Santos devem voltar orgulhosos, mas esses que já citei não, devem se sentirem envergonhados pelo caminho que o “nosso” fubibol ( isso mesmo, “nosso”, por que ele é meu, é seu e de todos os brasileiros) está indo.
Abraços e Voltem Sempre!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

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