O termo “desodiar” não existe no nosso dicionário. E por tal omissão da língua, atribuímos ao ódio um estado sólido, concreto, imutável. Ele não pode ser desfeito. A quentura no sangue, o ranger de dentes, o retesar de testa, o ódio, o ódio. Nenhum outro ser vivo o sente, somente nós, ditos seres evoluídos. Eita, sentimento humano! E que cabeça a nossa que não se atentou a inventar o verbo desodiar. Como ainda somos limitados e negligentes!!!
Mas não podemos culpar a língua pela concretude do ódio, até mesmo porque nós que a criamos e continuamente as modificamos. Se não há desódio, vamos inventa-la!!!! Eu, você, o mundo pode aprender a desodiar. O primeiro passo foi dado pela Benetton. Unhate (em tradução livre, “deixar de odiar”, “desodiar”) é o nome da nova campanha da marca italiana. Nela, grandes rivais contemporâneos protagonizam beijos impossíveis.
O papa Bento XVI tasca uma bitoca em Safwad Hagazi, imã do Cairo.

Já o presidente norte-americano Barack Obama até fecha os olhinhos para beijar o presidente da Venezuela Hugo Chávez.

Noutro cartaz, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu beija o presidente da Autoridade Palestiniana Mahmoud Abbas.

Com a campanha de marketing, a Benetton continua sua luta em prol da cultura da tolerância iniciada na década de 90. Mas a tolerância é para os fortes, pois criar o desódio é empreitada árdua. Para se tornar uma pessoa tolerante, é preciso rever alguns conceitos que são cultivados no interior da alma.
O mundo será mais feliz quando campanhas como a da Benetton não mais fizerem sentido algum, ou que não choquem mais. Então poderemos dizer que somos seres evoluídos.
Alguns há julgarem provocação gratuita e arriscada, eu há considero provocativa sim, gratuita, nunca, arriscada sim, coragem sempre!!!!
Link do filme publicitário da marca: http://www.youtube.com/watch?v=qImJFg5dgTE&feature=youtu.be
Abraços e Voltem Sempre!!!!!

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