
Vivemos hoje em uma sociedade cada vez mais interconectada, mas que, em muitos momentos, ainda opera de forma compartimentada.
Organizações do terceiro setor desenvolvem projetos para reduzir a pobreza e a desigualdade e preservar o meio-ambiente. Mas, por não terem finalidade de lucro, sua sustentabilidade financeira depende de doações, o que restringe seu escopo de atuação e o resultado de suas ações.
Empresas privadas, por sua vez, são orientadas para a obtenção de lucro. Criadas para poder oferecer produtos e serviços para servir a sociedade, hoje só conseguem atender a pouco mais de 1/3 da população mundial.
Ambas, por suas lógicas e finalidades limitadas, têm dificuldades para cumprir plenamente seu papel na sociedade. Por isso mesmo, apesar do aumento da riqueza gerada e do avanço que se viu nos últimos séculos, ainda vivemos em um planeta em desequilíbrio, com altas taxas de pobreza e desigualdade social.
Os negócios sociais surgem como proposta de evolução dos modelos existentes. Para superar os desafios sociais, propõem soluções que integram as lógicas de funcionamento dos dois setores, possibilitando a criação de modelos de negócio radicalmente novos no mercado.
O campo de negócios sociais ainda está em construção e há muito a ser aprendido e desenvolvido.
A consolidação dos negócios sociais emergentes, a atração e formação de capital humano qualificado para este campo, o crescimento de investidores interessados, a criação de centros de estudos nas universidades e fora dela, certamente contribuirão para o avanço da compreensão do significado deste novo modelo para o mundo e de sua capacidade de contribuir para a solução dos graves desafios sociais que a sociedade já enfrenta.
O que são negócios sociais?
São iniciativas economicamente rentáveis que, por meio da sua atividade principal (core business), buscam soluções para problemas sociais, utilizando mecanismos de mercado. Estes empreendimentos integram a lógica dos diferentes setores e oferecem produtos e serviços de qualidade a uma população excluída do mercado tradicional, ajudando a combater a pobreza e diminuir a desigualdade socioeconômica.
Esta nova tendência surge simultaneamente entre diferentes atores da sociedade:
- Empreendedores e lideranças sociais que buscam mais autonomia financeira e novas formas de expandir suas ações
- Empresas e empreendedores de negócios que buscam modelos que lhes permita oferecer produtos e serviços a uma população ainda não atendida pelo mercado
- Fundações, órgãos multilaterais e universidades que além de fomentar a pesquisa e disseminação de casos de sucesso, dispõe de linhas especificas de investimento em negócios sociais.
Os negócios sociais alcançam diferentes tipos de impacto social:
- Promover inclusão social, por meio da oferta de oportunidades de trabalho que melhoram a renda e a qualidade de vida de pessoas mais pobres – incluídas aqui também pessoas com deficiência, de populações marginalizadas ou de comunidades alternativas.
- Oferecer produtos e serviços – de qualidade e a preços acessíveis - que diretamente melhoram a qualidade de vida das pessoas mais pobres:habitação, alimentação, saúde, água potável, saneamento, energia, telefonia celular, computadores, serviços financeiros, jurídicos, seguros, etc.
- Oferecer produtos e serviços que melhoram a produtividade dos mais pobres, contribuindo indiretamente para o aumento de suas rendas – acesso a crédito produtivo, venda de tecnologias e equipamentos de baixo custo, etc.
O que diferencia um negócio social de uma instituição sem fins lucrativos e de um negócio “tradicional”?
- Negócios “Tradicionais”:
Priorizam o resultado financeiro. Muitas vezes investem em projetos sociais ou ambientais, mas estas ações não estão necessariamente vinculadas à sua atividade principal (core business). Estão estruturados juridicamente como empresas privadas. - Instituições sem fins lucrativos:
Visam solucionar problemas sociais ou ambientais e suas ações dependem parcial ou totalmente de doações financeiras. São estruturadas juridicamente como instituições sem fim de lucro. - Negócios Sociais:
São empreendimentos que utilizam mecanismos de mercado – tradicionalmente focados em acumular riqueza – com a finalidade de resolver ou minimizar desigualdades socioeconômicas. Sempre combinam viabilidade econômica e impacto social positivo, e podem estar estruturados juridicamente como empresas privadas ou instituições sem fim de lucro.

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